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Adepará promove orientações para produtores no Festival Internacional do Chocolate

Chocolat Amazônia e do Flor Pará seguem até o domingo (26) no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, com diversidade de produtos

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) participa da 11ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau — Chocolat Amazônia e do Flor Pará, realizado de 23 a 26 de abril, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém. Considerado um dos principais eventos do setor, o festival reúne produtores, empresas e especialistas da cadeia produtiva do cacau, com o objetivo de fortalecer a economia, valorizar a cultura e impulsionar o turismo estadual.

O espaço da Adepará na feira foi planejado com foco na sustentabilidade, utilizando estruturas reutilizáveis para reduzir o impacto ambiental. No local, servidores da agência estão à disposição do público para apresentar ações de defesa vegetal, como fiscalização, educação sanitária, levantamentos para detecção de pragas e estratégias de enfrentamento à monilíase nas regiões produtoras de cacau. Esse trabalho é fundamental para garantir a sanidade dos cultivos e impedir a entrada da monilíase — doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri, que ataca exclusivamente os frutos do cacaueiro e pode causar sérios prejuízos à produção de cacau e cupuaçu no estado.

Os visitantes também recebem orientações sobre práticas essenciais para manter a sanidade das lavouras e proteger a produção cacaueira. O estudante universitário Everton de Oliveira visitou a feira pela primeira vez e se surpreendeu com o trabalho realizado pela Adepará.

“Achei interessante toda a área de atuação, tanto na parte animal quanto na vegetal, e como isso reflete diretamente na nossa saúde. Há uma preocupação com o plantio e com a natureza. Como estudante e pesquisador, conhecer problemas atuais, como a vassoura-de-bruxa na mandioca, abre caminhos para pesquisas que podem ajudar nossa região e outras no futuro”, destacou Everton.

Sustentabilidade, preservação ambiental e qualidade reunidos nos produtos apresentados pelo Cacau Xingu, um dos expositores do evento. Representada pela produtora Jiovana Lunelli, a marca integra a cadeia produtiva de Brasil Novo e participa do festival desde 2022.

Jiovanna conta com orgulho sua trajetória e destaca a importância da certificação da Adepará.“O Cacau Xingu foi o primeiro a utilizar o selo de inspeção da Adepará. Produzimos desde 2014, mas só depois conseguimos o registro. No início houve resistência, mas seguimos em frente e crescemos muito. Hoje temos um produto certificado, fiscalizado e com qualidade comprovada. Isso foi muito positivo”, disse Jiovanna.

Ela ressalta ainda que a certificação possibilitou a participação em feiras em outras regiões do país. Os chocolates são embalados em folhas de cacau desidratadas, que podem ser reutilizadas como marcador de página. Outro diferencial são as embalagens, que trazem referências à fauna amazônica, como o peixe pirarará e o macaco-prego, reforçando a proposta de consumo consciente.

“Queremos mostrar que é possível produzir sem queimadas, sem desmatamento, sem contaminação e sem prejudicar os animais. Nosso chocolate vem de um sistema agroflorestal, com produção orgânica e da agricultura familiar. O Cacau Xingu não é apenas um produto, é um conceito de sustentabilidade que convida à reflexão sobre produção e consumo”, enfatiza a produtora.

Diretor-geral da Adepará, Jamir Madecdo: Temos qualidade para atender tanto o mercado nacional quanto internacional
Diretor-geral da Adepará, Jamir Madecdo: “Temos qualidade para atender tanto o mercado nacional quanto internacional”

O diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo, participou da abertura do festival e ressaltou a importância da atuação conjunta com os produtores rurais. “A Adepará está presente nos 144 municípios do Pará. Hoje podemos afirmar com convicção que nossa produção de cacau é livre de pragas e doenças. Temos qualidade para atender tanto o mercado nacional quanto internacional. Trabalhamos lado a lado com o produtor rural para garantir a sanidade e a excelência da produção”, afirmou.

Atualmente, cerca de 90% das amêndoas de cacau produzidas no Pará são destinadas à Bahia. O setor envolve mais de 30 mil produtores, em sua maioria da agricultura familiar, e gera aproximadamente 369 mil postos de trabalho — sendo 74 mil diretos e 295 mil indiretos. De acordo com dados do IBGE e da Ceplac, o Pará produz cerca de 150 mil toneladas de cacau por ano.

Diretor-geral da Adepará, Jamir Madecdo
Diretor-geral da Adepará, Jamir Madecdo

Entre os principais municípios produtores estão Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia e Novo Repartimento, com destaque para Medicilândia, reconhecida pela alta qualidade de suas amêndoas, consideradas entre as melhores do Brasil.

A Adepará também atua na capacitação de profissionais da cadeia produtiva do cacau, incluindo a formação de classificadores de amêndoas tipo 1 e tipo 2. Nesta edição, o Festival Internacional do Chocolate reúne mais de 300 produtores de diversos municípios paraenses, que comercializam seus produtos até o encerramento do evento.

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