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Fé, respeito, cultura e ancestralidade: Juventudes pela Revolução realiza o “1º Tambozarço da Resistência” em Canaã

O coletivo Juventudes pela Revolução realizou, no último domingo (30), às margens do Lago Municipal de Canaã dos Carajás (PA), o 1º Tambozarço da Resistência. A iniciativa buscou dar visibilidade, representatividade e protagonismo às casas de religiões de matriz africana do município, fortalecendo a luta contra o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.

O encontro reuniu cerca de 80 pessoas, entre pais e mães de santo, filhos e filhas de santo, além de simpatizantes. Juntos, entoaram cânticos, realizaram danças tradicionais e tocaram atabaques em reverência à ancestralidade, à cultura e às tradições africanas.

Para a mãe de santo Yolanda Yo, o momento foi essencial para desconstruir estereótipos:
“Quando se fala em religião de matriz africana, cria-se um estereótipo de que somos pessoas do mal. Estamos aqui para mostrar que não é isso. Somos pessoas como qualquer outra e temos uma cultura — e essa cultura é forte.”

A programação também marcou as celebrações do Dia da Consciência Negra, reforçando o papel das religiões de matriz africana na preservação histórica, espiritual e cultural do povo negro. Pai André Gomes destacou a importância do ato:
“Precisamos mostrar ao público que nossa religião não é o que muitos pensam. Cultuamos voduns, caboclos, orixás. Nosso objetivo é combater o preconceito e o achismo sobre nossos cultos.”

Coletivo ampliando lutas e construindo pontes

Fundado há pouco mais de um ano, o Juventudes pela Revolução atua na defesa da comunidade LGBTQIA+, das religiões de matriz africana e de direitos humanos historicamente negados a populações marginalizadas. Também desenvolve ações nas áreas de cultura, meio ambiente e educação.

Além do Tambozarço, o coletivo coordena um mapeamento dos terreiros de Canaã dos Carajás, iniciativa que já identificou cerca de 12 casas religiosas, levantando demandas e dialogando com o poder público em busca de políticas inclusivas.

Para Matheus Rodolfo, fundador do coletivo, o evento simboliza a força da união:
“Esse momento não é meu, nem apenas do coletivo. Esse momento é nosso. Ele representa o resultado de um trabalho construído com verdade, transparência e coletividade. Nosso objetivo é mostrar à população que é somente através da união que nossas demandas podem ser atendidas pelo poder público, porque a força vem do povo.”

A mãe de santo Michele de Oxum descreveu o Tambozarço como um marco:
“É um momento histórico para nós, que já lutamos tanto para que nossa família de Axé pudesse se mostrar de forma plena dentro da cidade. É muito importante e gratificante.”

O Juventudes pela Revolução é um coletivo político apartidário e sem fins lucrativos, comprometido com a construção de uma Canaã dos Carajás mais inclusiva, diversa e respeitosa com todas as formas de expressão cultural, religiosa e identitária.

Texto:

Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627

Com informações de:
Luh Lima

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