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Ancestralidade no sudeste do Pará: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás traz a potência do Alto Rio Negro para o Abril Indígena

Programação com a Comunidade Bayaroá e o mestre Seridu Justino Tukano apresenta a complexidade das flautas sagradas e o ritual do Dabucuri como ferramentas de preservação cultural.
A Amazônia é um território de ciências e conhecimentos plurais, onde a música, a medicina natural e o manejo da terra se entrelaçam em sistemas de conhecimento milenares. Para celebrar o Abril Indígena, a Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, equipamento do Instituto Cultural Vale, promove, no dia 29 de abril, uma imersão profunda nos saberes do Alto Rio Negro – região do noroeste amazônico – com a presença da Comunidade Bayaroá e do mestre Seridu Justino Tukano.

O encontro é uma oportunidade rara de acessar a cosmologia dos povos do “Cabeça do Cachorro” (AM), região de fronteira com Colômbia e Venezuela, através de suas flautas sagradas, cantos e rituais. “Estamos unidos para mostrar nossa cultura originária, que defendemos pela natureza, nossos rios e nossos conhecimentos de medicina natural. Isso é o mais importante para nós: mostrar para a sociedade a troca de conhecimentos dos povos, grandes cientistas indígenas”, afirma o cacique Seridu Justino Tukano.

Para a musicista e pesquisadora Magda Pucci, doutora em Pesquisa Artística e diretora da Ethos Produtora, a presença do Sr. Justino em Canaã é um marco para a difusão da imensa diversidade do Brasil indígena. Ela destaca a sofisticação técnica de instrumentos como o Cariço e a Japurutu, cujas melodias possuem uma estrutura hipnótica e colaborativa.

“A melodia se constitui coletivamente: os músicos não executam todas as notas individualmente, mas apenas algumas, que são completadas por outros instrumentistas. Cada participante é responsável por partes complementares do todo sonoro”, explica Magda.

Segundo a pesquisadora, essa prática reflete a própria organização social desses povos. “Isso tem tudo a ver com a forma como os povos do Alto Rio Negro entendem a música. Para eles, a prática musical está ligada aos próprios processos de criação e transformação da humanidade. Isso aparece, por exemplo, no aprendizado das flautas sagradas”, explica.

Magda ressalta que a musicalidade indígena é o fio condutor que organiza a estrutura das comunidades, refletindo suas alianças e o cotidiano. Segundo ela, “a partir daí, a gente também consegue perceber como a música atravessa a vida social: as trocas de alimentos e de objetos, os alinhamentos políticos, os momentos de encontro e de convivência, as relações de parentesco. Tudo isso pode ser compreendido a partir de rituais como o Dabucuri, que veremos na Casa da Cultura”, antecipa.

Resistência além das aldeias
A Comunidade Bayaroá, liderada por Justino Tukano, é um exemplo vivo de resistência urbana. Formada por indígenas das etnias Tukano, Tuyuka, Desana, Pira-Tapuya, Tariana e Bará que vivem em Manaus, o grupo mantém rituais e línguas ativos mesmo fora do território original.

“A programação fortalece a identidade indígena porque reflete essa história de resistência. Mesmo na periferia de Manaus, eles mantêm vivas práticas essenciais. Ao se apresentarem e darem oficinas, eles não apenas compartilham a cultura, mas reafirmam sua própria existência e garantem que sua história continue viva”, conclui Magda Pucci.

Serviço
1 OFICINA
Atividade: Saberes Sonoros do Alto Rio Negro – Com Seridu Justino Tukano
O que é: Vivência sobre as musicalidades do Rio Negro, cantos e instrumentos tradicionais.
Data: 29/04/2026 | Horário: 14h
Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás
Público: A partir de 08 anos
Informações: (94) 99220-3451

2 APRESENTAÇÃO CULTURAL
Atividade: Comunidade Bayaroá – Cantos e Sons do Alto Rio Negro
O que é: Imersão sonora e ritualística com cantos ancestrais e o som das flautas Japurutu e Cariço.
Data: 29/04/2026 | Horário: 16h30
Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás
Público: A partir de 08 anos
Informações: (94) 99220-3451


Abril Indígena: Saberes e Sons do Alto Rio Negro

Oficina | Saberes Sonoros do Alto Rio Negro

Com Seridu Justino Tukano

A oficina propõe uma vivência sobre as musicalidades de povos do Rio Negro, apresentando cantos, instrumentos tradicionais e aspectos culturais ligados a essas práticas. Durante a atividade,

A proposta integra a programação do Abril Indígena e convida o público a uma experiência de escuta, aprendizado e valorização dos conhecimentos tradicionais.

Bio Seridu Justino Tukano

Mestre dos cantos tradicionais da região do Alto Rio Negro, responsável pela preservação e transmissão de práticas musicais da comunidade Tukano, incluindo instrumentos como Japurutu e Cariço. Atua em oficinas, apresentações e projetos de pesquisa musical junto a comunidades indígenas e instituições culturais.

cacique Seridu Justino Tukano – primeiro fez uma saudacao falando com a fala na língua do povo tucano
Os povos do Pará, os parentes. Eu estarei também representando aqui do Alto Rio Negro, do Cabeça do Cachorro, como povo tucano.
Então, estamos unidos, reunidos e fazendo encontros nossos culturais e mostrar a nossa cultura originário, que defendemos pela natureza, nossos rios. Então, e nossos conhecimentos, nossos medicina naturais também. Então, isso é mais importante para nós e mostrar para a sociedade dia dos povos indígenas mês de abril dia 19, mas estamos comemorando dia 28, 29, 30.
comemoração encontro dos povos grandes cientistas indígenas e troca de conhecimentos dos povos originários

incluir duas falas da Magda Pucci – diretora da Ethos Produtora de Arte e Cultura. Musicista e pesquisadora, é especializada em músicas do mundo e nas musicalidades indígenas brasileiras. É fundadora e diretora musical do grupo Mawaca, com ampla atuação internacional e desenvolvimento de projetos educativos. Doutora em Pesquisa Artística pela Leiden University (Holanda), também é autora de livros e responsável por oficinas voltadas à música indígena e à educação musical.

A apresentação e a oficina da Comunidade Bayaroá serão momentos muito oportunos e importantes para a difusão das culturas indígenas do Alto Rio Negro. O Sr. Justino é um bayá, ou seja, guardião da tradição dos cantos dos povos dessa região, em especial dos Tuyuka, além de tocar as flautas cariço e japurutu. Conhecer essas tradições musicais é fundamental, pois nos permite acessar, ainda que de forma breve, a imensa diversidade que constitui o Brasil indígena — tão rico e ainda pouco conhecido.

A música tocada com as flautas japurutu apresenta uma melodia construída de forma a criar uma sensação quase hipnótica. Assim como ocorre com o cariço, a japurutu se organiza a partir de um sistema musical bastante singular: os músicos não executam todas as notas da melodia individualmente, mas apenas algumas delas, que são completadas por outros instrumentistas. Dessa forma, a melodia se constitui coletivamente, com cada participante responsável por partes complementares do todo sonoro.

E isso tem tudo a ver com a forma como os povos do Alto Rio Negro entendem a música. Para eles, a prática musical está ligada aos próprios processos de criação e transformação da humanidade. Isso aparece, por exemplo, no aprendizado das flautas sagradas.

A partir daí, a gente também consegue perceber como a música atravessa a vida social: as trocas de alimentos e de objetos, os alinhamentos políticos, os momentos de encontro e de convivência, as relações de parentesco. Tudo isso pode ser compreendido a partir de rituais como o Dabucuri, que será demonstrado durante a apresentação no Centro Cultural da Vale do Carajás.

Data: 29/04/2026

Horário: 14h

Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás

Público: a partir de 08 anos

Informações: (94) 99220-3451

Apresentação | Comunidade Bayaroá – Cantos e Sons do Alto Rio Negro

A apresentação conduz o público por uma imersão sonora nas tradições de povos indígenas do Alto Rio Negro. O espetáculo reúne cantos, instrumentos tradicionais e movimentos rituais que evocam histórias ancestrais, relações com os animais e elementos da vida cotidiana nas comunidades indígenas da Amazônia.

Os sons da Japurutu e da Cariço se entrelaçam às vozes e à presença cênica dos integrantes da comunidade, criando uma experiência artística marcada pela força da oralidade, da memória e da ancestralidade. A apresentação favorece o contato com práticas culturais que seguem vivas e transmitidas entre gerações.

A Comunidade Bayaroá é formada por integrantes dos povos Tukano, Tuyuka, Desana, Pira-Tapuya, Tariana e Bará, sob liderança de Seridu Justino Tukano. O coletivo surgiu a partir do encontro de indígenas que passaram a viver em Manaus e se organizaram em torno da preservação e do compartilhamento de suas tradições culturais.

complementa aqui, nat, a parte sobre a comunidade com essa fala da magda aqui embaixo:
Além disso, a programação da comunidade Bayaroá fortalece a identidade indígena no sul do Pará porque reflete a própria história de resistência deles. Mesmo fora das aldeias, na periferia de Manaus, a comunidade mantém vivas práticas essenciais, como tocar instrumentos e conservar seus rituais, apesar das condições desfavoráveis e do tamanho reduzido do grupo. Ao se apresentarem e darem oficinas, eles não apenas compartilham a cultura com outros, mas reafirmam sua própria existência e tradição, mantendo a identidade coletiva e garantindo que sua história e práticas continuem vivas.

Data: 29/04/2026

Horário: 16h30

Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás

Público: a partir de 08 anos

Informações: (94) 99220-3451


Natália Mello
Jornalista

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