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Barriguda: uma árvore que cria raízes na identidade de Canaã dos Carajás

Sumaumeira se torna referência turística e símbolo de preservação ambiental, fortalecendo a relação de afeto dos moradores com a cidade

Em Canaã dos Carajás, uma árvore tem conquistado espaço na identidade do município e no afeto de seus moradores. Popularmente conhecida como Barriguda, a sumaumeira vem se tornando uma referência turística e um símbolo de preservação ambiental. No aniversário de 32 anos de emancipação política da cidade, celebrado em 5 de outubro, sua presença chama a atenção para a relação entre natureza, pertencimento e desenvolvimento urbano. 

O reconhecimento da Barriguda aparece na própria maneira como a população identifica os espaços da cidade. A Avenida São João também é conhecida como Rua da Barriguda, uma referência que ajuda a situar a árvore no cotidiano local. O nome popular ultrapassa, assim, a identificação de um exemplar da vegetação e passa a fazer parte da geografia de Canaã dos Carajás. 

Fotografia: Carol de Andrade

Esse vínculo afetivo acompanha o interesse turístico pela árvore. Sua valorização aproxima moradores e visitantes da natureza presente no ambiente urbano e abre espaço para o conhecimento da flora amazônica. 

A advogada Deisy Resende, natural de São Gotardo/MG, morando há oito anos em Canaã dos Carajás, é uma das pessoas que estabeleceu forte vínculo com a Barriguda. A história de amor com a árvore começou, em poucos meses, assim que chegou na cidade. Um taxista a levou para conhecer, dizendo que seria algo impactante e realmente foi. 

“Vim de Minas Gerais e, logo no primeiro mês em Canaã dos Carajás, fui apresentada à nossa samaúma. Conhecê-la e abraçá-la foi uma experiência única, foi uma surpresa muito positiva encontrar uma árvore tão grandiosa. As pessoas de fora ficam encantadas com sua beleza. Para mim, a Barriguda é um presente que temos no município. Pela sua altura e imponência, a considero uma guardiã da nossa cidade. Sempre trago os visitantes aqui.”, afirma a advogada. 

Fotografia: Arquivo pessoal

A Barriguda também oferece uma oportunidade para abordar a preservação ambiental a partir de um elemento reconhecido pela comunidade, tornando o tema mais próximo da experiência de quem vive na cidade. 

O exemplo de Silvio da Silva, 56 anos de idade, natural de Estrela do Norte, Goiás, morador de Canaã desde 1989 e que trabalha como servidor municipal na função de agente de segurança patrimonial no NEI Irani Vieira da Silva, localizado no entorno da Barriguda, é uma experiência de relação afetiva com a árvore, pois tem um ritual em todos os turnos de trabalho. 

“Não tem um dia de trabalho que eu não olhe para ela. Sempre vejo daqui da entrada da escola. Eu sei que vem gente de longe para conhecer ela. Espero que os moradores de Canaã ajudem a preservar essa árvore que é importante para a nossa cidade.”, disse. 

Fotografia: Emanuel Jadir

Segundo Matheus Rodolfo, assistente Social, que integra a coordenação de Meio Ambiente e Turismo do Coletivo Independente Juventudes pela Revolução, a árvore já existia antes da constituição formal da cidade e integra a memória de sua ocupação e crescimento. “No aniversário do município, o coletivo destaca sua preservação como uma forma de valorizar os laços históricos, culturais e afetivos construídos pela população com o território.”, pontua o assistente social. 

A importância da árvore motivou a campanha “Salve a Barriguda”, proposta pela arquiteta e urbanista Nathalia Canedo e pelo técnico urbanista e ambiental Sandey Guimarães, no âmbito das ações do coletivo. A mobilização incluiu abaixo-assinado, entrevistas com moradores do entorno, divulgação na televisão local e apoio a pesquisas acadêmicas. A equipe também elaborou um dossiê técnico para fundamentar a iniciativa. Além do valor simbólico, o grupo ressaltou a relevância ambiental da samaumeira, que abriga aves e insetos polinizadores. 

Fotografia: Arquivo pessoal

Entre os objetivos da campanha do Coletivo estão a preservação, incentivo aos cuidados necessários à sua conservação e buscar o tombamento pelo poder público. O Coletivo também propõe a criação de um museu no entorno da árvore, associando memória local, preservação ambiental e turismo ecológico. Para Matheus, “a participação da população é fundamental tanto na cobrança de medidas de proteção quanto no cuidado cotidiano com o espaço, evitando o descarte de lixo e entulho.”. 

Lilene Pereira, mantém com o esposo o Restaurante Pereirinha, localizado ao lado da árvore, no bairro Flor de Lis I, ela conta que a árvore é como um ponto turístico. “Várias pessoas param para tirar fotos no início e no fim do dia, quando o pôr do sol cria um contraste com a árvore. Ela também chama a atenção quando muda a folhagem, tem época em que ela perde todas as folhas e, pouco tempo depois, já está verde novamente. Nessas mudanças, às vezes a gente consegue perceber um desenho parecido com um coração na copa.”, conta. 

A Barriguda tornou-se um símbolo que aproxima a discussão ambiental da identidade local. O interesse pela árvore e o carinho dos moradores mostram como a natureza pode se tornar uma referência de pertencimento. Na celebração do 32º aniversário de Canaã dos Carajás, ela representa uma parte da paisagem que a população reconhece, valoriza e deseja preservar para as próximas gerações.