O esporte como ferramenta de transformação e inclusão social deu o tom à 3ª edição do Festival Paralímpico realizado em Canaã dos Carajás. Fruto de uma parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro, a Prefeitura Municipal de Canaã e a Fundação de Cultura, Esporte e Lazer (Funcel), o evento reuniu crianças e jovens com deficiência dos 7 a 23 anos.
Com o objetivo de demonstrar que o esporte é para todos e que as limitações podem ser superadas dentro das capacidades de cada um, o festival reuniu estudantes, voluntários e diversas instituições parceiras, como a APAE, o Instituto Via Autismo, faculdade Unisa, escolas da rede municipal de ensino e escolas privadas.
Neste ano, os participantes puderam experimentar três modalidades paralímpicas específicas: o futebol de cego, a bocha e o badminton. Segundo o professor de educação física da Funcel Davi Alves de Almeida, o objetivo foi apresentar novas opções a cada edição. “Todo ano a gente está com a intenção de trazer modalidades novas para que os alunos experimentem modalidades paralímpicas”, explicou Davi, destacando que a iniciativa visa mostrar que os alunos com deficiência são plenamente capazes de executar as atividades.

Para quem participou, a experiência foi marcante. Maria Clara, uma jovem surda de 14 anos, expressou seu entusiasmo ao participar do evento. “Eu gosto muito porque eu vejo a inclusão acontecendo aqui, ter essa interação, essas brincadeiras”, relatou. Ela contou que seu esporte favorito foi o badminton, modalidade que já havia observado no ano anterior e que, desta vez, sentiu-se empolgada para praticar. “A inclusão acontece de verdade com as pessoas deficientes. A gente vê esse momento todo juntos brincando”, completou.
Quem também marcou presença foi Vitória Maria de Oliveira, de 14 anos, aluna da escola Maria de Lourdes, frequentadora assídua do festival. Além de se exercitar em atividades como barra, cabra-cega, futebol de cego e vôlei, Vitória destacou o valor social do encontro: “Eu faço mais amizade, tenho mais colegas para conversar”.

Estrutura e apoio profissional
A relevância do festival é reforçada por profissionais que atuam diretamente no suporte aos participantes. Daniel, de 27 anos, que trabalha como prestador de serviço para a Câmara Municipal como intérprete de Libras, ressaltou a felicidade das crianças e a importância de oferecer um ambiente estruturado. “Muitas vezes, elas não têm essa oportunidade de estar participando desse tipo de esporte, não têm uma estrutura adequada, não têm instrutores. A gente vê que elas estão bem felizes de poder ter essas experiências”, afirmou, mencionando também a participação positiva de alunos surdos no evento.
Além dos profissionais locais, o festival contou com o apoio fundamental de voluntários universitários das áreas de fisioterapia e educação física, auxiliando na formação prática desses estudantes e fortalecendo o caráter inclusivo do evento. Áquila Ingrid Rodrigues Lima, de 24 anos e estudante do segundo ano de fisioterapia, atuou no suporte ao futebol de cego e em outras atividades. Para ela, a fisioterapia desempenha um papel que vai além do aspecto físico.
“Ajuda na questão da mobilidade e também na força. Mas a gente tem que estar ali para apoiar e dar um incentivo, porque eles sentem vergonha e dificuldade. A fisioterapia é muito isso também”, avaliou Áquila, que planeja seguir carreira na área de fisioterapia esportiva justamente pelo impacto da inclusão no esporte.







